5. O ATENDIMENTO E A FIDELIZAÇÃO
Para
um grande número de empresas, os clientes ainda são pessoas
estranhas. Para muitos clientes, o único fator relevante na hora da
compra de um produto é o preço. Vendedor e Clientes possuem
interesses e pontos de vista diferentes e que na maioria das vezes
geram conflitos. Uma ferramenta de marketing bem-sucedida exige a
superação deste conflito. Pode-se dizer que tal estratégia é a
superação da diferença entre cliente e consumidor, isto segundo o
Professor Andrém que publicou um artigo em:
http://www.administradores.com.br/mobile/artigos/marketing/voce-conhece-seus-clientes/23197/
(em
31/05/2008).
Neste
mesmo post, o Professor André continuou: “Até
os anos 90 o Marketing direcionava suas ações a um público
denominado consumidor. A partir daquela década temos vivenciado uma
mudança na forma de nomear este público: de consumidor para
cliente”. Era o que os estudiosos chamaram de início da era do
cliente. De acordo com Mirian Bretzke, consultora e pesquisadora de
marketing, na era do cliente, os consumidores querem voltar a ser
clientes, para serem tratados como indivíduos, com suas necessidades
entendidas e atendidas, individualmente.
O
significado clássico da palavra consumidor é de uma pessoa que
compra para gasto próprio, enquanto o de cliente é de uma pessoa ou
organização que desempenha um papel no processo de transação com
uma empresa ou organização. Para Bretzke, a maioria das referências
bibliográficas sobre marketing ainda utilizam o termo consumidor
quando tratam de pessoas ou famílias que adquirem ou compram
serviços e produtos para consumo pessoal.
5.1. Tipos de Clientes
Em
linhas gerais, podemos classificar o cliente em duas categorias:
cliente potencial e cliente atual. Entre estes dois grupos, vários
autores desenvolveram diversos estágios, ou tipos de clientes, que
veremos a seguir.
Modelo
de Kossen
Para
Kossen, autor de Creative Selling Today, existem 3 tipos (estágios)
de clientes: suspect, prospect e prospect
qualificados.
Modelo
de Raphael
Considine
Raphael, em sua obra Adventures in relevance marketing, classifica os
clientes em seis fases, que são: 1) Clientes prováveis – são os
possíveis compradores de produtos ou serviços (corresponde ao
conceito de suspect de Kossen); 2) Clientes potenciais – pessoas ou
empresas que mostraram interesse pelo produto ou serviço, podendo se
tornar cliente (corresponde aos conceiros de prospect e prospect
qualificado de Kossen); 3) Experimentadores – clientes que
realizaram a primeira compra; 4) Clientes fiéis – estão
satisfeitos, repetem a compra, porém, não concentram maior volume
comprado na marca específica; 5) Repetidores – Clientes que
concentram a maior parte da compra em uma marca específica; 6)
Advogados da marca – alto envolvimento com a marca, chegando a
indicá-la a outras pessoas e empresas.
Modelo
de Narayandas
Das
Narayandas, professor de MBA de Harvard Business School, diz que o
cliente assume 4 diferentes papéis, ou seja, ele pode exigir muito e
pagar muito; pode exigir pouco e pagar muito; pode exigir pouco e
pagar pouco; e pode exigir muito e pagar pouco.
Modelo
de McKenna
Segundo
Regis McKenna, autor de Relationship marketing, o cliente pode passar
de mero observador, para um estágio de envolvimento máximo,
caracterizado pelo alto nível de apego à empresa e/ou produto,
caracterizado por McKenna como o estágio de “advogado da marca”.
Relacionar-se
bem com o cliente tem sido um objetivo constante das organizações,
porém, não é uma prática fácil. Requer, primeiramente, uma
mudança de paradigmas. Mudanças desse tipo, que alteram o
comportamento e a cultura organizacional, são as mais difíceis.
Talvez o primeiro passo na busca desta cultura de bom relacionamento
com o cliente seja conhecê-lo bem. A
satisfação é um dos principais elementos capazes de fidelizar um
cliente. Dessa forma, as empresas devem buscar a satisfação como
forma de estreitar a relação com seus clientes, tornando-os
parceiros comerciais. A satisfação do cliente é essencial para o
sucesso de uma empresa. Segundo Detzel e Desatnick (1995): satisfação
do cliente é o grau de felicidade experimentada por ele. Ela é
produzida por toda uma organização.
A
satisfação aliada ao bom atendimento é o aspecto que faz o cliente
retornar, por isso, a satisfação do cliente tem que ser o motivo
maior, pois estes, quando satisfeitos, são mais do que simples
consumidores ou clientes, mas, parceiros comerciais e advogados que
defendem a empresa e fazem propaganda para amigos e familiares
(KOTLER, 1998).
Ressalta-se
que um consumidor fica satisfeito quando as ofertas (produtos,
serviços e atendimento) oferecidas a eles ultrapassam as suas
expectativas, assim, Kotler (1998) define que: "SATISFAÇÃO é
o sentimento de prazer ou de desapontamento resultante da comparação
do desempenho esperado pelo produto (ou resultado) em relação às
expectativas da pessoa".
A
importância da satisfação do cliente é evidente na avaliação de
Paul A. Allaire apud Detzel e Desatnick (1995): Para
sobreviver no mercado global de hoje, uma empresa precisa satisfazer
os clientes fornecendo bens de qualidade e prestando serviços de
qualidade. Isto exige uma reavaliação contínua das necessidades
dos clientes e um compromisso inabalável de mudar quando necessário,
para satisfazer ou superar as expectativas deles.
O
foco no cliente permite que a empresa alcance excelência no nível
de satisfação, sendo que muitas empresas que possuem sucesso
mundial, como, por exemplo, a McDonald’s, adotaram esta estratégia.
Para estas empresas, os valores corporativos são: qualidade,
atendimento, limpeza e valor (KOTLER, 1998).
Segundo
Detzel e Desatnick (1995) os cincos segredos para a superioridade em
serviços, estão fundamentadas em cinco ações quais sejam: 1)
Criar um foco no cliente em toda a organização; 2) Estabelecer
padrões de desempenho em serviços baseados nos funcionários; 3)
Medir o desempenho em serviços em relação a marcos de referência
(benchmarcks) superiores; 4) Reconhecer e recompensar
comportamentos exemplares em serviços; 5) Manter o entusiasmo,
consistência e previsibilidade para o cliente.
Neste
sentido, para fortalecer a parceria empresa/cliente, todos os
colaboradores (especialmente vendedores) devem estar aptos a oferecer
um atendimento capaz de satisfazer os clientes e fidelizá-los,
fortalecendo a parceria com a organização e aumentando a
competitividade.
As
empresas precisam estar preparadas para entender e atender as
necessidades dos clientes e deixar de lado o antigo: convencer para
vender. Empresas
que apresentam esta postura pensam em relacionamento em longo prazo.
É possível até que algumas vezes deixem de fazer algumas vendas,
pela sinceridade como ajudam o cliente, mas é absolutamente certo
que ganham muitos clientes e admiradores potenciais que certamente
aumentarão o sucesso nas vendas, por ganharem confiança nesta
empresa.
O
vendedor bem sucedido é aquele que faz com que o cliente pense que
foi ele que comprou não que venderam algo pra ele, ou seja o cliente
quer ter a sensação de que tomou a decisão certa; ai entra o maior
marketing que é nada mais nada menos que entender e atender a
necessidade de seu cliente, publico alvo.
5.2. UM “CAUSO” SOBRE A RELAÇÃO COM OS CLIENTES -
CRM
(Caderneta de Registro Mensal) de Mercearia
Toshiro
queria aumentar as vendas da mercearia e deixar o freguês contente.
Como o pessoal gostava de comprar fiado, encomendou umas cadernetas,
carimbando nas capas a sigla: "CRM - Caderneta de Registro
Mensal". Era nelas que controlava as contas dos fregueses. Logo
a CRM ficou popular no bairro. "Anota aí na CRM dois quilos de
tomate para a patroa", ordenava a Benedita. "Minha mãe
mandou perguntar quanto vai pagar de CRM este mês", chegava o
recado na boca da Silvinha.
Mas
a caderneta não servia apenas para cobrar os fregueses. Era a sua
bola de cristal. Naquelas linhas o japonês enxergava muito mais do
que o total a receber no final do mês. Ele identificava ciclos de
comportamento do freguês, suas preferências, a associação dos
produtos adquiridos e muitas outras coisas. Até a data de
aniversário e idade das crianças ele sabia, pelo número da velinha
comprada na véspera.
Só
de olhar na caderneta Toshiro sabia quando oferecer novidades para o
freguês. A data escolhida para pagar era a mesma em que a freguesa
estava com a carteira mais cheia. E aberta a sugestões. Identificar
preferências e associações de produtos também ajudava a vender. A
freguesa levava sempre banana e aveia? Toshiro criava pacotes
promocionais com um terceiro produto em promoção. Um vidro de mel
ou uma lata de farinha láctea, para criar novos hábitos na família.
E diminuir o estoque.
A
freguesa comprava sempre tomate? Dá-lhe campanha promovendo o
macarrão e o queijo ralado. Fazia tempo que não levava azeite? Era
só lembrá-la de que o azeite sempre acaba na hora da salada. A
última compra foi há muito tempo? O Toshiro ligava avisando que a
laranja estava em promoção. E o freguês ia lá buscar, só porque
o Toshiro se preocupou em ligar.
Até
o Pepe, do açougue ao lado, criou sua própria caderneta CRM para
acompanhar as preferências da freguesia. Logo Toshiro e Pepe
trocavam informações de suas CRMs, para ganho mútuo. E o Manoel da
padaria acabou aderindo ao sistema. Seguido pelo Alcebíades do
boteco. Cada um passou a ser um agente de uma pequena rede de troca
de informações.
O
Toshiro vendeu carvão e sal grosso para o doutor Januário? O Pepe
era logo avisado e ia preparando a carne que o doutor gostava. O
Manoel aumentava a receita do pão. E o Alcebíades colocava mais
cerveja para gelar. Cada comerciante sabia prever a próxima compra,
para fazer a próxima oferta e exceder a expectativa do freguês.
Todos prosperavam. Os fregueses estavam contentes.
Isso
até o filho do Toshiro voltar da capital. Da faculdade, com diploma
e tudo, e virar consultor do pai, enquanto não encontrava emprego.
Achou a caderneta antiquada. Vendas, só à vista. Se o freguês
quisesse parcelar, que fosse pelo cartão. O açougue? A padaria? O
boteco? Eram concorrentes. Será que seu pai não percebeu que eles
também vendiam caixas de fósforos? Nada de dividir com a
concorrência. Cada um que cuidasse de seu próprio negócio. Ou a
mercearia iria perder a freguesia.
E
foi o que aconteceu. O que o filho logo interpretou como falta de
investimento em propaganda. A solução foi vender a Kombi de
entregas e comprar espaço no jornal e no rádio. Sobrou algum para
um outdoor e uma tarde de palhaço com microfone na porta da
mercearia. Sem Kombi para entregar, o jeito era cada freguês
carregar sua própria compra. Ou comprar menos, para o braço não
esticar na caminhada.
Toshiro
sentia saudades do modo antigo. Da amizade com os clientes, do
conhecimento de seus hábitos. Do lucro. Um dia uma propaganda no
jornal chamou sua atenção. "CRM - Conheça os Hábitos de Seus
Clientes". Parecia a sigla das cadernetas, só que era em
inglês. "Customer
Relationship Management".
Será que poderia ajudar a mercearia? O filho descartou logo a ideia.
Aquilo era coisa para empresa grande. Não servia para mercearia. Era
complicado demais para Toshiro entender.
(Crônica
escrita por Mario Persona, que é consultor, escritor e palestrante.
Esta crônica faz parte dos temas apresentados em suas palestras em
www.mariopersona.com.br,
acessada em 04/05/2015 e esta
crônica de Mario Persona pode ser publicada gratuitamente como
colaboração em seu site, jornal, revista ou boletim, desde que
mantidas na íntegra as referências acima).
Parece
incoerente dizer, em plena era do e-commerce, que o melhor negócio
em atendimento é voltar ao passado e espelhar-se, na figura do dono
de uma mercearia, levando para o caminho, que devemos tratar o
cliente como no tempo dos nossos avós. Pelo menos é isso que
defende uma estratégia que tem nome e número: CRM (Customer
Relationship Management) - ou Marketing "One to One".
O
dono da mercearia, pequeno comerciante, conhece cada um de seus
clientes e muitos deles são chamados pelo nome. Sabe as necessidades
e as preferências de cada um e quase sempre está disposto a
conseguir um produto que não está disponível em suas prateleiras.
Assim não há chance desses clientes irem comprar em outra mercaria.
Podemos notar, que este comerciante está nos dando uma aula de como
se deve tratar um consumidor. Na atualidade é possível usar a
tecnologia de TI e uma alteração no pensar das empresas, além de
criatividade, para acompanhar o cliente e tratá-los de forma
individualizada - e esse é o grande diferencial competitivo que o
CRM defende e valoriza.
A
filosofia dessa estratégia é bastante simples: a empresa tem que
estar voltada ao entendimento do cliente e à antecipação de suas
necessidades (lançando mão do conceito "tempo zero"), não
importando o tamanho do negócio nem a quantidade de clientes. "A
sobrevivência e a garantia de lucratividade de uma organização
dependem da relação de longo prazo com seus clientes", afirma
Valsoir Tronchin, sócio-diretor da Peppers and Rogers Group, empresa
de consultoria estratégica de relacionamento com clientes que adota
o CRM. "Sem esse relacionamento, ela não sobreviverá. Ela não
pode tratar clientes da mesma maneira, ela precisa diferenciá-los."
Segundo
Mauro Silveira (Você S.A Edição 21, acessado 05/10/2016 disponível
em http://www.wirelessbrasil.org/bloco/2006/outubro/out_01.html), as
empresas têm consciência disso e muitas criaram os já tradicionais
serviços de atendimento ao consumidor desenvolvendo moderníssimos
call centers. Os consumidores podem comprar o mesmo aparelho, mas
estão adquirindo serviços diferenciados e, seguramente, sentindo-se
muito bem atendidos por isso. "Se o cliente sentir que a empresa
sabe de suas necessidades ou, mais ainda, que o conhece e o trata de
forma diferenciada", afirma Valsoir Tronchin, "ele
seguramente será fiel".
É
claro que investir em tecnologia é um passo importante para tornar o
relacionamento mais próximo do cliente. Mas isso não é tudo. "CRM
é uma estratégia simples, mas que exige adesão total dos
funcionários e integração de todas as áreas da empresa",
afirma Tronchin (Electronic Enlightenment Project, 2008): "O
dono de um hotel queria porque queria um sistema capaz de identificar
os clientes que estavam se hospedando pela segunda ou terceira vez,
para que eles recebessem um alô especial logo ao chegar. Chamou um
especialista em computadores, que de fato desenvolveu um programa
fabuloso, mas que custaria uma fortuna e demoraria um ano para ser
implantado. Uma recepcionista e um carregador ouviram a conversa e se
ofereceram para resolver o problema de outra forma. E resolveram
mesmo, brilhantemente. Funciona assim: quando o cliente chega, o
carregador, ainda na calçada, lhe pergunta distraidamente se é a
primeira vez que está vindo ao hotel. Depois, quando deixa as malas
na recepção, ele coça a orelha e a recepcionista já sabe...
Bem-vindo! É bom tê-lo novamente conosco!"
Nenhum comentário:
Postar um comentário